sábado, 8 de agosto de 2026

Henry James


 Pelos olhos de Maisie 

Foi por causa dessas coisas que sua mãe conseguira contratá-la por tão pouco, quase de graça: foi o que Maisie ouviu, um dia em que a sra. Wix a acompanhou até a sala de visitas e deixou-a lá, uma das senhoras que lá estava - uma mulher de sobrancelhas arqueadas como cordas de pular e pespontos negros e espessos como a pauta de um caderno de música nas belas luvas brancas - dizer para outra. Maisie sabia que as governantas eram pobres; a pobreza da srta. Overmore não se comentava, e a da sra. Wix era comentada por todos. Porém nem esse fato, nem o velho vestido marrom, nem o diadema, nem o botão, nada disso diminuía para Maisie o encanto que apesar de tudo se manifestava, o encanto que residia no fato de que junto à sra. Wix, com toda sua feiura e sua pobreza, ela experimentava uma sensação única e tranquilizadora de segurança que nenhuma outra pessoa no mundo lhe proporcionava - nem o papai, nem a mamãe, nem a mulher das sobrancelhas arqueadas, nem mesmo, por mais linda que fosse, a srta. Overmore, em cuja beleza a menina tinha a vaga consciência de que não era possível refastelar-se com igual sensação de aconchego e ternura. Era a mesma sensação de segurança que lhe inspirava Clara Matilda, a qual estava no céu e, no entanto - constrangedoramente -, também estava em Kensal Green, onde elas duas foram ver sua pequena e mal-amanhada sepultura. 

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